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Brasil deve atrair mais investimentos europeus com a transição verde, revelam empresários em evento


Foto: divulgação

O evento contou com a participação de grandes empresas brasileiras e europeias, que destacaram os crescentes investimentos em sustentabilidade.


O movimento de “powersharing”, que é a realocação da produção onde há disponibilidade de energia barata, limpa e renovável, deve beneficiar a chegada de investimentos da União Europeia (UE) no Brasil. Essa é uma das conclusões do debate organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), que ocorreu no dia 17 de março.


O evento celebrou o lançamento do estudo “Mapa Bilateral de Investimentos Brasil-União Europeia” (disponível para download  aqui) e incluiu um painel de debate entre empresários de grandes companhias que atuam nos dois mercados, como Engie Brasil, EDP Energias do Brasil, Telefônica Brasil, Stefanini Group e Embraer. A tônica das apresentações foram os desafios da transição verde e as oportunidades que surgem no Brasil frente a essa realidade.


Atualmente, o país já é o 10º maior produtor de energia do mundo, sendo que mais de 48% dessa matriz é renovável, muito acima da média de 15% verificada no mundo. No âmbito de eletricidade, o Brasil é o 6º no ranking global, com 83% da matriz renovável. Além disso, é um dos países mais bem posicionados em termos de capacidade instalada de energia solar e eólica.


Por isso, para a Diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Paula Repezza, a descarbonização é um dos termos norteadores do desenvolvimento econômico brasileiro, e pode ser alcançada por meio da atração de investimentos de qualidade, como os da UE. “Podemos observar a pujança de oportunidades que o Brasil oferece do ponto de vista de energia renovável, de forma a auxiliar no enfrentamento às emergências climáticas”, destacou. “Não vejo outro país do mundo mais competitivo do que o Brasil”, complementou.


Repezza lembrou, ainda, que a ApexBrasil está à disposição para auxiliar empresas europeias que queiram investir no Brasil. “Oferecemos um softlanding no mercado brasileiro”, destacou.


Investimentos europeus


Conforme o estudo publicado pela ApexBrasil, os membros da União Europeia já contribuem com processo de transição energética no Brasil. Entre 2016 e 2020, 133 obras de infraestrutura no país contaram com investimentos de empresas europeias. Desse total, 50 foram em parques eólicos e 24 em usinas solares. A região Nordeste, que reúne condições climáticas favoráveis para esses projetos, concentrou a maior parte dos empreendimentos.


De acordo com Maurício Bähr, presidente da ENGIE Brasil, empresa francesa de energia que atua há 25 anos no país, a decisão de investir no mercado brasileiro se deu inicialmente pelo tamanho do mercado. Com resultados positivos desde então, a companhia foi constantemente reinvestindo no país. “Hoje temos uma presença muito forte na área de geração de energia renovável, limpa, seja hidrelétrica, solar ou eólica. Temos mais de 10 mil watts de capacidade, com plantas espalhadas pelo Brasil inteiro”, revelou Bähr. “Cerca de 50% da contribuição da energia renovável que a Engie tem no mundo vem no Brasil”, complementou.


O Brasil também é o mercado mais importante para a EDP Group, empresa portuguesa de energia que atua em 29 países. Segundo o presidente da sucursal brasileira, João Marques da Cruz, o investimento no país se justifica pelo arcabouço regulatório estável e sofisticado, que facilita as transações comerciais, e pelo sistema de parcerias público-privadas.


Hoje, a empresa já detém mais de 3 mil quilômetros de linhas de transmissão no Brasil, e quer expandir. “Queremos investir 30 bilhões de reais nos próximos 5 anos, em geração de energia renovável e redes de transmissão e distribuição”, revela Cruz.


Soluções brasileiras


Do lado brasileiro, o vice-presidente Global de Relações Institucionais da Embraer, José Serrador, apresentou projetos pioneiros que devem contribuir para a redução de emissões do setor de aviação, incluindo mudanças nos pilares de tecnologia, operação e combustíveis. “Hoje, a aviação civil é uma pequena parte de um grande problema, representa apenas 2% das emissões globais, mas o setor está na vanguarda na adoção de compromissos rígidos de redução de ruído e emissão”, destacou.


Além de já trabalhar com aviões totalmente compatíveis com a utilização de biocombustíveis, a Embraer vem desenvolvendo projetos de aeronaves com propulsão elétrica e de célula de hidrogênio. “Estamos investindo pesadamente nisso, são aviões de menor porte, de até 30 lugares, mas a ideia é conseguir a neutralidade de carbono”, revelou Serrador.


Como o objetivo da empresa é reduzir 50% das emissões líquidas de carbono até 2030, tem apostado também nos combustíveis de biomassa, que podem ser produzidos com alta competitividade no Brasil, e na mobilidade aerourbana. “Ano passado abrimos uma nova empresa de capital aberto voltada veículo para 4 pessoas, com autonomia de 100km, para rotas de dentro da cidade. É uma solução de mobilidade urbana limpa, 90% menos ruidosa do que o helicóptero comum”, explica Serrador. A entrada em serviço está prevista para 2026.


Fonte: APEX Brasil

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