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Artigo - Síndrome de Burnout e Saúde dos Negócios: quais os desafios e oportunidades?


Nunca foi tão necessário falar de saúde mental quanto agora, não é mesmo? Parece que finalmente começamos a compreender o impacto da saúde mental sobre a saúde integral, sobre os resultados dos negócios e sobre a forma como vivemos em sociedade. Tratar da saúde mental individual e coletiva, incluindo todos os ambientes – família, escola, empresas, comunidades – é tão urgente e importante que a Campanha Janeiro Branco de 2022 tem como tema “O mundo pede saúde mental.”

A Campanha Janeiro Branco foi criada pelo psicólogo brasileiro Leonardo Abraão em 2014 como uma oportunidade de gerar conscientização e quebrar tabus e preconceitos sobre o tema da saúde mental. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), saúde mental “é uma condição de bem-estar que nos ajuda a desenvolver nossas habilidades, lidar com os estresses do dia a dia, trabalhar de forma produtiva e contribuir para a sociedade”. E quando ela é afetada, a saúde física, emocional, social, espiritual e organizacional também padece.

Trazendo o foco para o ambiente empresarial, como ter uma empresa inovadora, ágil, competitiva e pronta para crescer sem pensar em aplicar esse conceito de saúde mental da OMS de forma coletiva? Parece impossível e de fato é.


Vejamos o seguinte dado: a partir de 01/01/2022 passamos a conviver com um novo risco trabalhista com a classificação da Síndrome de Burnout pela OMS como doença ocupacional ou do trabalho. Caracterizada pelo “estresse crônico de trabalho que não foi administrado com sucesso”, esta alteração estava pautada desde 2019 pela OMS para ser implantada em janeiro de 2022, ou seja, anterior a pandemia de Covid-19 que obviamente agravou o quadro das doenças mentais por inúmeros motivos, mas não foi a principal causa desta mudança.


O impacto desta classificação nos cofres das empresas brasileiras poderá ser alto, uma vez que o Brasil é o 2º (segundo) no ranking de países com maior incidência na Síndrome de Burnout, de acordo com a ISMA-BR - International Stress Management Association. Também somos o 1o (primeiro) país em ansiedade e o 5o (quinto) em depressão, segundo a OMS, Organização Mundial da Saúde. Lembrando que a depressão foi classificada pela própria OMS como a doença incapacitante do século XXI.


No caso da Síndrome de Burnout como doença ocupacional, o foco deixa de ser o trabalhador e passa a ser o trabalho, podendo gerar ações judiciais e impactar financeiramente as empresas. O ambiente de trabalho, as relações de trabalho, a cultura organizacional, o estilo de liderança, o modelo de gestão, poderão ser considerados “adoecedores” a ponto de gerar ações trabalhistas e indenizatórias. Não é mais a pessoa que “é fraca e não aguenta pressão” como muitas vezes se escuta. É a empresa, que muitas vezes sem ter consciência, poderá estar gerando tal adoecimento.


Ambientes organizacionais hostis, cobranças extremas, agentes estressores constantes, insegurança sobre o emprego, condições inseguras de trabalho, falta de clareza sobre os limites do trabalho, metas desafiadoras e inalcançáveis, falta de metas claras, feedbacks inadequados, ameaças, relacionamentos conflituosos, assédio moral, são alguns fatores geradores de estresse crônico, podendo levar o trabalhador ao esgotamento e exaustão física e mental.


Como toda síndrome, o Burnout se caracteriza por um conjunto de sintomas, como esgotamento físico e mental, sentimentos negativos em relação ao trabalho, exaustão, menor identificação com o trabalho e sensação de redução da capacidade profissional. Insônia, dificuldades de concentração, sentimentos de fracasso, insegurança e negatividade constante são alguns outros sintomas que dificultam a condição de trabalho produtivo, fator importante para a saúde mental.


Inserir a pauta da saúde integral e organizacional nas empresas é uma necessidade imediata e urgente e existe sim saída. Um bom caminho é as empresas começarem a revisar as suas culturas organizacionais, regenerando conceitos, valores, fazendo de fato o que dizem e pregam. Se a empresa prega o valor Respeito, por exemplo, que esse respeito se traduza de fato em comportamentos respeitosos no dia a dia da empresa. Não adianta falar de Respeito e haver assédio moral, preconceito, nenhuma diversidade e inclusão. Essa contradição adoece a empresa e, como consequência, adoece as pessoas.


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